A CANA
Matéria prima para a fabricação da cachaça. São cinco as espécies mais utilizadas por causa do teor de açúcar
e da facilidade de fermentação do caldo. As universidades e outras instituições de Minas Gerais têm investido pesado na
pesquisa da cana-de-açúcar e já conseguiram colocar no mercado mais de dez variedades, com períodos de maturação diferentes,
que permitem estender o tempo da safra. A cana usada na produção do destilado artesanal é colida manualmente, e não é
queimada, prática que precipita a sua deterioração.
MOAGEM
Imediatamente depois de cortada, a cana madura, sem pontas verdes deve ser moída no prazo de 24 horas. As moendas
separam o caldo do bagaço, sendo que este pode ser usado para queimar nas fornalhas/caldeiras do alambique. O caldo
da cana passa por um processo de decantação visando retirar o bagaçilho e em seguida é diluído para a
fermentação. É extremamente importante a higieinização da moenda e acessórios após o uso. O acúmulo de resíduos
podem abrigar o desenvolvimento de bactérias que competem com as leveduras causando a formação de produtos indesejáveis,
diminuindo o rendimento e a qualidade da cachaça.
FERMENTAÇÃO
O processo de fermentação é a conversão do açúcar do caldo de cana em alcóol e outros produtos, através ação
de leveduras. A qualidade da cachaça está intimamente associada à qualidade da fermentação e é nesta etapa é
que se faz uma grande distinção entre a cachaça artesanal e aquelas industrializadas.
No caso das industrializadas a produção se dá em grandes volumes (85 mil litros por dia) enquanto que na artesanal a
produção é modesta (85 mil litros por ano). Para assegurar que a produção industrial seja contínua o
processo de fermentação não pode sofrer interferências e deve ter rendimento máximo, mas esta situação é alcançada
com o uso de aditivos, que no processo artesanal é proibido.
Alguns dos principais aditivos de fermentação empregados na maioria dos processos industriais são:
antibióticos:empregados para evitar a contaminação das leveduras por outros microorganismos.
aditivos químicos: como sulfatos, fosfatos, cálcio, compostos nitrogenados,entre outros complementos.
agentes de controle de pH: ácidos sulfúrico e fosfórico quando há baixa acidez e carbonatos e soda caústica quando há um excesso de acidez.
Na produção artesanal é permitido apenas a adição de fubá de milho e ou farelo de arroz, visando servir de complemento
para a manutenção da saúde do fermento caipira. A preocupação principal da fermentação artesanal é a
qualidade e não o rendimento (quantidade).
Na sala de fermentação a higiene é fundamental, manter as dornas limpas (evitar o transbordo), eliminar a presença de
insetos, a lavagem periódica do pé de cuba, são procedimentos para evitar contaminações. E mesmo assim
acidentes na fermentação podem ocorrer, e nestas situações apenas um procedimento é recomendado, o descarte e o recomeço
gradual.
DESTILAÇÃO
O vinho de cana produzido pelas leveduras durante a fermentação é rico em outros componentes
além do álcool, alguns deles dependendo da concentração até nocivos, a saúde, como por exemplo: aldeídos, ácidos,
ésteres, metanol e alguns álcoois superiores. A concentração de álcool etílico varia de 9 ºGL e como a graduação fixada por lei
está na faixa de 38 a 54 ºGL, é preciso destilar o vinho para elevar o teor de álcool. O processo é fazer ferver o vinho dentro de um
alambique de cobre, produzindo vapores que são condensados por resfriamento e apresentam assim maior quantidade de álcool
etílico. As primeiras frações (cabeça) e as últimas (cauda) são porções de descarte do alambique e devem ser
separadas do coração (cachaça propriamente dita), por causa das frações indesejáveis (tóxicas) que diminuem a qualidade
da boa aguardente.
ENVELHECIMENTO
Processo de envelhecimento aprimora a qualidade sensorial da bebida. A estocagem é feita, preferencialmente, em barris de
madeira, onde naturalmente ocorrem algumas reações químicas entre os componentes secundários da cachaça, principalmente
pela formação de ésteres.
O tipo da madeira empregada no processo de envelhecimento também contribui com a
qualidade final, pois influencia na cor e no sabor da aguardente. O jequitibá e
o amendoim são tidos como madeiras neutras, pois não alteram a cor da cachaça.
As que conferem ao destilado um tom amarelado e mudam seu aroma são o carvalho,
a umburana, o cedro, a castanheira e o bálsamo. Cada uma com suas particularidades,
deixando a cachaça mais ou menos suave, adocicada e perfumada, dependendo do
tempo de envelhecimento.
A Lei 13.949 de 11/07/2001 define o volume máximo para tonéis de madeira no
envelhecimento de aguardente e diferencia da condição de armazenamento, bem
como a denominação quanto ao período de enelhecimento.
Onde as Cachaças novas são aquelas armazenadas por um período de até 12 meses, para cachaça ser
considerada envelhecida é necessário um período 13 a 48 meses e acima de 48
meses a cachaça é definida como reserva especial.
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